A chance do Iraque

A invasão do Iraque, desde o começo tem o acompanhamento de perto da mídia, não por suas proporções, mas por seus envolvidos. Os EUA. Enquanto são comentados diariamente os acontecimentos do país que agora passa por uma transição, várias outras guerras, principalmente na África e Ásia, nunca recebem atenção. É compreensível vermos americanos serem contra a guerra, pois são eles quem estão bancando-a. Mas por que brasileiros são a favor da manutenção de um governo totalitário e terrorista? A grande maioria não se importa com a situação do Iraque, mas gosta de criticar os EUA, pois, acreditam que o país está lucrando com esta guerra, e que tudo isso só aconteceu pelo petróleo.
Como exemplo do anti-americanismo sem reflexão, citarei o caso de Abu Graib. Algum tempo atrás, logo que os EUA invadiram o Iraque, fotos de soldados americanos que torturavam prisioneiros caíram na mídia, e foram capas das mais importantes revistas do mundo. Para os que não se lembram, uma das fotos mostrava uma soldado apontando e rindo de um preso nu, e outra um homem utilizando um cachorro policial para amedrontar um preso. Foi a primeira vez que vi uma tortura onde os presos não são nem ao menos encostados! Nada comparado às torturas cometidas por Saddam Hussein, mostradas pelo American Enterprise Institute de Washington, para muitos jornalistas. Devido à brutalidade lá contida, a grande maioria dos meios de comunicação optou por não divulgar as imagens, mas graças ao site youtube, a realidade está disponível para todos. De acordo com o relatório do Departamento de Estado, algumas das barbaridades cometidas eram: Espancamento, experiências médicas, amputação de órgãos sexuais, marcas de ferro quente, amputar os dentes com alicates, derrubar água fervendo, pregação e muitas vezes o corte da língua, estupro de mulheres na frente de seus maridos e até mesmo mal tratar crianças na frente de seus pais. Se certas informações são de difícil acesso aos brasileiros, basta se informarem a respeito do tratamento dos presos no Brasil, que nunca foi capa de revistas mundiais e é muito mais violento do que o tratamento dos americanos com prisioneiros.
A realidade do abuso do poder que antes existia com a ditadura de Saddam, não se resume somente às torturas de presos por guerras e de supostos criminosos (entende-se aqui criminosos como pessoas que de alguma maneira, discordavam das idéias de Saddam. Simples palavras podiam tornar uma pessoa criminosa). Um documento do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, do Departamento de Estado, mostra que Saddam, logo que subiu ao poder em 1979, calou não só os opositores políticos, mas também todos os doutores e pessoas eruditas do país. Pela primeira vez, um líder usou armas químicas contra seu próprio povo, e acredita-se que mais de 30 mil foram mortos com gás venenoso. Algumas vezes o ataque era feito a vilas inteiras. Em março de 2004 foi calculado que existem mais de 250 fossas comuns, com cerca de 300 mil corpos de pessoas perseguidas pelo regime e mortos durante as guerras que o Iraque se envolveu desde a chegada de Saddam no poder.
Após a invasão americana, mesmo sem que as armas de destruição em massa, que Saddam afirmava ter, não terem sido encontradas, descobriu-se 2 toneladas de urânio parcialmente enriquecido e estoques de gás mostarda e sarin.
O mito de que a invasão deu-se pelo Petróleo, e somente para que os EUA enriquecessem é mentira, pois é mais barato comprar o Petróleo. Para os que duvidam, basta pegar o montante gasto pelos EUA com a guerra no Iraque até agora, e dividir pelo quanto o petróleo iraquiano rende anualmente. Com essa simples divisão, é possível entender que somente para recuperar o dinheiro gasto até o momento, são necessários mais de 20 anos. Naturalmente algumas pessoas saem beneficiadas, e como de costume, são políticos ou pessoas influentes, mas os americanos só perderam com esta guerra.
Recentemente, as mortes no Iraque vêm caindo, há tolerância religiosa, liberdade política, uma constituição foi implantada e existe uma espécie de imprensa livre. Se antes não haviam chances para o país, agora há. Claro que não será fácil a manutenção de uma democracia no Oriente Médio, mas se os EUA mantiverem suas tropas por mais um tempo e aos poucos retirá-las e os iraquianos seguirem um caminho correto, em breve poderão ser um país de destaque na turbulenta região.
Lucas Harris
Dezembro de 2007
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