O intervencionismo e a crise de 1929
O crescimento econômico de um país é fortemente relacionado com a política adotada por este. Ainda não existem países com a total desvinculação entre economia e Estado, assim como aconteceu com a religião há alguns anos, mas com uma rápida análise é possível percebermos que o quanto menor a interferência, mais há um crescimento econômico. O desenvolvimento de uma economia liberal e capitalista é turbulento quando analisado a curto prazo, mas a longo prazo, mostra-se muito mais eficiente que o desenvolvimento intervencionista, que visa um crescimento estabilizado e momentâneo.
Numa economia regida por leis naturais, o valor de um bem é o valor que pessoas estão dispostas a pagar por ele, e assim podemos entender o porque existem crises ou recessões na economia, que nada mais são do que um ajustamento de preços. Fatores naturais que influenciam nesses ciclos são: mudanças bruscas de oferta ou demanda, novas descobertas, novos concorrentes, etc...Infelizmente, políticos visam somente seu curto mandato, e como uma recessão natural de um ano pode afetar sua popularidade, este faz uma intervenção para que a economia não pare. Esse atraso só faz com que um crescimento artificial ocorra, e a crise, que não pode ser evitada, mas só prolongada, venha com uma intensidade muito maior. Um exemplo disso foi a crise de 1929, que foi interpretada como uma crise liberal, e só abriu mais espaço para a intervenção e o famoso welfare state, que só terminou com Thatcher e Reagen.
O combate estatal à inflação é um perfeito exemplo para compreendermos o porque o intervencionismo dá errado. Um dos fatores que influenciam no preço de um produto é sua raridade. Um diamante é mais caro que uma esmeralda porque é mais fácil acharmos uma esmeralda. Um casaco de pele de onça custa mais caro que uma jaqueta de couro de boi porque a matéria do segundo é muito mais barata e fácil de se conseguir. O raciocínio também se aplica ao câmbio (moeda) de um país, quando um governo resolve aumentar a oferta de moeda e crédito. Desta maneira há um aumento da expectativa inflacionaria (desvalorização da moeda = aumento do preço de produtos no mercado) e por conseqüência há um aumento de juros, e não redução.
O resultado de emissão de crédito e moeda não só resulta em inflação a médio prazo, mas também em uma onde de maus investimentos a curto prazo, já que crédito fácil causa uma euforia nos investidores, e erros isolados viram comuns, causando bolhas especulativas. Desta maneira, a economia se desenvolve sem bases sólidas, e esse crescimento resulta numa grande recessão posteriormente, muito maior que as recessões naturais.
Com essa compreensão básica de economia é possível entendermos o porque a crise de 1929, que causou 25% de desemprego na população americana, não foi causada pelo liberalismo econômico, que jamais causaria uma crise de tamanhas proporções, mas sim pela intervenção. O século XIX é tido como o século de maior liberdade nos EUA, e por conseqüência, é o que mais o país cresceu. Em 1913 o FED, banco central americano foi fundando, e este sim pôs fim ao período em que as crises eram de pequenas proporções. Durante o boom que antecedeu a grande crise, a oferta de moeda aumentou em US$ 29 bilhões, o que representa 62% em 8 anos. Em comparação, a reserva de ouro, neste período aumentou somente 15%. Era clara a tentativa de criar um crescimento inexistente.
Recentemente, para evitar uma recessão americana, Bush anunciou um pacote de US$ 146 bilhões para impulsionar a economia, o que equivale a 1% do PIB. Agora é sentarmos e esperarmos os resultados.
Lucas Harris
Janeiro de 2008
