O intervencionismo e a crise
Desde 2007 o mundo vem enfrentando a mais séria crise dos últimos anos. O que começou com o estouro da bolha no sistema imobiliário americano, vem se expandindo para praticamente todas as áreas da economia mundial.
No entanto, essa recessão, que vem sendo erroneamente atribuída ao livre-mercado e ao liberalismo econômico, tem como principal e real causador o intervencionismo estatal americano. A falácia é extremamente prejudicial pois não só isenta os verdadeiros culpados, mas como também abre espaço para que uma minoria com influências políticas intervenha mais ainda na economia com o manjado discurso salvacionista. Isso, a longo prazo, resultará somente no enriquecimento dessa minoria privilegiada e um aumento da crise, prejudicando o resto da população.
É importante entender que em uma economia de livre mercado recessões acontecem. Elas não são nada mais do que períodos que sucedem maus investimentos e obrigam pessoas, que por algum motivo erraram, a redirecionar seus esforços e investimentos para outras áreas.
No entanto, dificilmente num livre mercado investidores errarão tanto quanto em um ambiente que conte com o auxílio estatal para estimular a economia. Devemos sempre lembrar que políticos se importam somente com seus curtos mandatos, portanto, estão dispostos a levar a economia às mais altas euforias dentro deste período, mesmo que essa não seja baseada na ação humana, mas em falsos alicerses que em breve demoronaram.
Há várias maneiras de se estimular a economia, mas a mais utilizada é a emissão de crédito por parte do FED. Desde 1995, com a crise da Nasdaq, e mais intensificado após 2001, com o atentado de Onze de Setembro, o FED veio emitindo crédito sem controle nenhum. O propósito era que isso estimulasse a economia, mas como já era de se esperar, esse excesso de crédito abriu espaço para investimentos antes ignorados por serem muito arriscados, além de extimular enormes disparates bancários e empresariais. O resultado inicial, como desejado, foi um enorme crescimento, mas é claro que o cenário não poderia durar muito. As bolhas que se formavam, haveriam de explodir algum momento.
Um dos mais putrefactos resultados de uma economia onde um banco central dita as regras monetárias, é a forma como os bancos operam. Como irresponsabilidades são financiadas pelo Estado, os bancos, em momentos de euforia econômica, mantém uma reserva mínima de dinheiro enquanto utiliza o resto para outras atividades. Ou seja, num momento de euforia, todos investem em um banco, mas ele só guarda uma porcentagem mínima do que é investido nele. Em um período estável não há problema, no entanto, se por algum motivo todos resolverem retirar dinheiro daquele banco, ele não existirá. Em um cenário de livre mercado isso não existiria, pois se algo der errado, não existiria alguém que simplesmente criasse mais dinheiro, como o FED, salvando o banco da falência. A responsabilidade bancaria seria muito maior.
Outra maneira criada pelo FED de intervir na economia é pelo controle de juros. Através de um complexo sistema de empréstimos a bancos, o governo controla qual o juro a ser cobrado por empréstimos feitos. Para estimular o mercado, desde 2001 essa taxa estava quase zerada. Consequentemente, não era interessante para o americano poupar, mas sim, jogar esse dinheiro no mercado estimulando a economia. Enquanto numa economia livre, esses juros seriam regulados naturalmente, dependendo de cada ocasião, com variantes como período e risco.
As bolhas foram se criando a partir de falso crédito e, não satisfeito, o Estado arrumou novas maneiras populistas de estimular a economia, como obrigar bancos a alavancar a compra de casas em porcentagens nunca feitas antes.
A causa de todas as bolhas, super-valorizações e orgias financeiras que ocorreram foram consequências diretas da intervenção estatal que ocorreu nos EUA e no resto do mundo. Agora, a solução proposta, e que recebe grande apóio popular, é mais injeção de crédito no mercado. A crise pode melhorar temporariamente, mas tende a piorar em breve.




